domingo, 13 de junho de 2010

"O espelho do Mundo"

Areal deserto. À minha volta nada perturba o gritante silêncio que cala o riso. Nada, excepto a ondulação. As águas tempestuosas fustigam, castigam os cinzentos promontórios que protegem as areias tórridas da violência do vento. A espuma salgada das ondas parece corroer as rochas enquanto elas vão desaparecendo sob a água.
Levanto a cabeça e corro em direcção à agitada massa cinzenta que atormenta a tormenta celeste. Os pés enterram-se na areia, parecem não querer continuar, não querer enfrentar… mergulho. Dor, frio, mágoa. Ali flutuando à mercê das vagas, a minha alma parece mirrar e enegrecer nas águas que a acolhem num abraço agónico de gelo.
Ar. Preciso de respirar. Não aguento. Irrompo pela superfície agora calma do oceano em busca de algo que me prenda à minha mirrada essência. Olho para baixo e vejo o espelho que a raiva quebrou a refazer-se. O espelho de um mar de lágrimas. Lágrimas da alma, lágrimas do ser, a essência salgada que somos. Será este mar os olhos do mundo, os olhos que espelham a sua alma? Uma alma cinzenta, corrosiva, fria. Uma alma de dor, um mundo de mágoa.

Sem comentários:

Enviar um comentário