"Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo... um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém
Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...
Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro..
Uma chaga sangrenta do Senhor...
Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador..."
de Florbela Espanca
Devo dizer que estranho o título do poema. Embora no final a referência a pecador talvez nos remeta para o mal que Florbela fez a alguém, penso que este poema reflecte mais sobre outros problemas da nossa existência. Mas quem sou para criticar Florbela Espanca?
Ainda assim, extraordinário poema.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário