sexta-feira, 17 de junho de 2011

"Sangue"

Quero sangrar,
Quero ver que vivo.
Ver o rubro de dentro,
Ver o que grito.

Senti-lo escorrer pelas veias,
Senti-lo brotar por entre as teias
Que envelhecem no meu coração,
Na minha melancólica solidão.

Saber que há cor em mim,
Que não sou um vazio de breu,
Um nefasto festim
Para quem me tirou quem era meu.

Ele está lá, corre circunscrito,
Pelos seus canais fechados o sinto,
Quer sair, ser livre assim,
E a esta triste vida trazer-lhe o fim...

Só aquele sorriso o prende,
Aquele verde olhar,
Que a mim não me desvende,
Mas inconsciente me dá ar.

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