segunda-feira, 17 de maio de 2010

O Golpe da Ignorância

Dá-me ar. Dá-me água. Dá-me paz. Dá-me um sorriso. Dá-me algo que estanque a ferida que arde no meu peito. O golpe do gume afiado da tua tristeza não sara e o seu ávido apetite esgotou o calor da minha alma, roubou o sangue das minhas veias.
Os outrora verdes campos por onde vagueávamos esvaecem-se para tons de cinza. Os riachos que por eles corriam, puros e cheios de vida, secaram e são agora uma vala que aguarda o corpo defunto do nosso passado.
Não. Não posso permitir que a atroz facada, aquela que traz a precoce morte, seja esta. Não posso. As feridas profundas que atormentavam o agora dormente ser que se aproxima da vala sarariam. Sim, sarariam. Mas a ignorante e fechada fachada que sou não o permitiu e com um golpe rude e impiedoso acabou com a fugaz mas prometedora vida de feliz simbiose.
Um sopro, uma rajada, uma brisa de esperança percorre o frio e rígido defunto, mas não passa disso, de uma vaga visão do que pode voltar a ser, do que pode voltar a viver. Apenas tu o podes trazer de volta, apenas tu podes transformar essa frágil de brisa numa tempestade do outrora, num inferno de vento daquilo que fomos e que podemos voltar a ser.
Desculpa.

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