terça-feira, 10 de maio de 2011

"Inferno"

Cobre-me as falhas, cimenta-me as fendas. Nada as fecha. Sangram por um só, porque o céu e a terra são o meu sudário. O meu coração arde, sei-o. Arde negro, numa chama sem luz, sem calor, que não se extingue porque o seu fogo há muito se apagou. Espalha-se, alastra-se dentro de mim e consome-me.
Esqueci tudo o que sabia, tudo o que sentia. Agora todo eu sou essa chama que, sem fogo, arde, queima e se destrói, sem nunca desaparecer. Negro, frio, só e de dor dormente, sou eu. Eu sou o meu inferno.

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