sexta-feira, 10 de junho de 2011

Aos meus

Ontem peguei num álbum de fotografias, Ninguém lhe tocava há algum tempo e a nostalgia destes últimos dias parecia chamar por ele. Levei-o comigo para junto das fotografias dos últimos três anos, das nossas fotografias. Sentei-me e abri-o. Página após página, memórias que já esquecera, pessoas com quem vivera, felicidade que já não via. Via sim, pessoas que já partiram, pessoas que foram, família e amigos eternizados no papel mas lembrados de serem efémeros cedo demais. Laços de que me despedi, sem escolha ou vontade. Laços a quem disse adeus.
Mas ao lado estavam vocês. Sorrisos que vira há pouco, risos que partilhara há momentos. Três anos de altos e baixos. Três anos intensos, vividos. Três anos convosco. Vocês que não sabendo me deram força. Vocês que fizeram do meu sorriso mais do que um véu. As nossas histórias, os nossos abraços, os nossos choros que por tantas vezes afogaram os meus. A vossa constante lembrança que a vide de um vive em todos. A vossa presença na ausência de quem eu era e que sempre me trouxe de volta, sempre me encontrou onde vagueava perdido. E não há tempo algum que possa levar isso.
Obrigado. Obrigado por fazerem de mim quem hoje sou. Pelos nossos almoços, jantares e bifanas matinais. Pelos nossos cinemas, saídas e bebidas. Pelas cartadas. Pelos cânticos obscenos no balneário. Obrigado por estarem aqui.
Mas depois de tudo isto fazerem por mim, tenho um último desejo, um último pedido de um amigo que quer ser e não ter sido: Que não acabe aqui numa folha, que não envelheçamos num qualquer álbum de fotografias, que não sejamos efémeros. Deixem-me pedir-vos que não digam adeus, porque eu não o farei. Terão em mim, sempre, um amigo.
Até breve amigos, para sempre até breve!

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